Eu nunca dei trabalho, desde os primórdios de minha existência. Sempre fui assim, calminho, na minha, relativamente tímido. Educado, sempre respeitei muito os conselhos de meus pais e as opiniões alheias. Nunca fiz nada que chamasse a atenção, a não ser pelas notas azuis em meu boletim escolar. Nunca soube tocar nenhum instrumento – e talvez nem tenha vocação para tal. Sempre quis cursar Medicina, seguindo os desejos de minha avó materna. Mais tarde, iria me especializar em Pediatria. Na infância, muitas vezes custumava brincar sozinho. Não era de atrapalhar os outros, muito menos de ficar tentando fazer amizades com desconhecidos. Prefiro ficar em casa, lendo um bom livro ou assistindo alguns filmes. Uma boa companhia para conversar sempre me agradou.
Já ele.. foi, literalmente, a ovelha negra da família. Rebeldezinho sem causa, já tinha ousadia suficiente para encarar os pais de frente. Nunca os deixava sem uma resposta, mesmo que esta fosse em tom baixinho (para que nem eles pudessem ouvir). Brigava com as irmãs, mas mesmo assim nunca deixou de amá-las. Desorganizado, quebrava brinquedos, um verdadeiro desequilíbrio humano. Queria fazer tudo, sempre! Resolveu mudar para Jornalismo, achou que tinha vocação para tal. Começou a beber e, de vez em quando, fumava também. Gostava mesmo era de sair em festas, fazer novas amizades, conhecer o mundo.
Nos completamos, mutuamente. Ele não transgride minhas necessidades e eu o correspondo reciprocamente. Nossa personalidade é forte, digna do signo que a representa. Juntos, somos a consciência de nossa própria sobrevivência.
Nós formamos o “eu”. O próprio que vos escreve.